Miga, seje menas!


Achei esse texto perdido entre as anotações. Agora já não faz tanto sentido, mas eu sempre gostei de guardar sentimentos, mesmo que eles sejam passado.

Depois de passar pelo processo de negação, eu sempre me vejo aqui. Escrevendo sobre algo que, sim, me machuca, ou de alguma forma me machucou. É importante pra mim, sabe? Não sei se você consegue me entender. Eu preciso externar isso, para que desapareça. Só que é difícil. Nem sempre eu quero que sentimentos sumam. Mas chega um momento em que já deu, vamos seguir em frente. Mas eu preciso te contar umas coisas antes, mesmo que você nunca vá ler. Peço desculpas pelo drama. Eu sou assim. Você sabia, ou deveria saber.


Eu não gostei de você de cara. Eu falei tudo errado, porque simplesmente não estava pensando no que seria "certo" falar,

Nós saímos. E meu Deus, bateu, sabe? Suas conversas, a sua maneira de me ouvir, suas histórias. Poderia ficar horas te ouvindo. Que tolice! Eu acredito muito em energias, e eu senti uma energia muito boa vindo de ti. Ainda sinto, só pra constar. Você é uma pessoa muito boa, dá para sentir. Saímos uma, duas, três, várias vezes. Você topando as furadas que eu te chamava, desculpa. Mas eu me divertia contigo, de verdade. Até aí tava tudo ok. Eu curtia sua companhia e era assim, só isso.

Até que você começou a insistir que eu era muito distante, que eu não me importava com nada. Isso me irritava. Eu estava curtindo sair contigo, calma lá. Sem pressão. E você insistia. E eu querendo te falar "relaxa, isso tá mudando". Mesmo com meus dois pés atrás, você tava me desdobrando. Ou eu achei que estivesse. 

Mas você não queria que mudasse, né? Só que a impressão que eu tive era que sim, você queria que eu me importasse mais. Assim, fui ganhando "coragem" para pisar em um terreno "desconhecido". 

Você não me conhece, mas eu costumo demorar um pouco a me entregar. Não estou falando em paixão, é mais confiança. Eu sentia que podia, sabe? A cada vez que você me cobrava. Hoje eu percebo que era brincadeira, mas antes eu não via isso. Eu realmente achava que você pensava que eu "não tava nem aí". Quando eu tava claramente "aí" sim, na tua.

Eu fui criando expectativas (pelas quais eu não te culpo, isso é coisa minha), e você, mesmo sem querer, alimentando-as. Até que eu me vi perdida. Eu estava ok com a casualidade disso tudo. Até porque, quem me conhece sabe bem, não procuro nada além disso. Mas eu quis saber, te fiz um questionamento. Afinal, que mal tem em perguntar? 

Você mudou completamente. E eu queria te falar que, relaxa, eu só estava indo sair com outras pessoas. Conhecer outras histórias, outros sabores. Mas achei que era certo te perguntar se você estava fazendo o mesmo, afinal, você me cobrava tanta coisa que isso me deixava um pouco confusa. E eu me sentia bem à vontade quanto a questionar algo de ti.

Isso te assustou, e se você lesse isso, provavelmente ia me falar que não (ou não dar a mínima, o que seria escroto, convenhamos. Mas você já disse que é assim às vezes). Mas sim, você mudou depois disso. Isso me fez lançar vários questionamentos sobre o quanto as pessoas se ASSUSTAM com a menor possibilidade de cobrança. Não estou julgando. Eu também sou assim. E isso me fez cair um pouco na real. A cobrança às vezes é coisa da nossa cabeça.

Depois desses dias, eu pensei "foda-se, não é a esse tipo de cara que eu quero me apegar". E não me leve a mal. Você é um tipo de pessoa que eu gostaria de ter por perto, que eu teria como companhia para alguma aventura, que eu dividiria outras coisas. Você sabe! Mas não é o tipo de cara estável que eu me entregaria. Você deve esta aliviado por isso. E é justamente por esse alívio que eu deixei pra lá.

Apaguei seu número, em uma tentativa não muito madura de não puxar assunto. Afinal, nos falávamos todos os dias, lembra? Não é louco como as coisas mudam? Como os interesses se alteram?

Te encontrei depois disso, com um receio enorme de me ver apaixonada por ti. Sim, surgiu a dúvida. Foi muito bom te ver e perceber que não, eu não estava. Eu gostava sim de tudo que passávamos juntos, inclusive gosto ainda, mas é isso. Você é uma pessoa incrível, e é isso. Foi reconfortante chegar a essa conclusão. Mas ao mesmo tempo eu percebi o quanto as coisas mudaram. Como somos instáveis, não é?

Na real, eu percebo isso hoje. E toda essa situação me fez refletir muito sobre mim, sobre o meu medo de apego, sobre como eu fujo das pessoas que parecem minimamente gostar de mim. Até que ponto vai o desapego? A vontade de ser "livre"?

Eu já estive no "seu lugar". Já fui a pessoa que mudou ao sentir o menor sinal de apego do outro. Já fui a pessoa que mudou DO NADA, que sumiu sem avisar. E hoje eu percebo o quão sem nexo é essa atitude. Em um dia você está lá, falando por horas, marcando de sair, falando que ta com saudade, cobrando importância. Ei, se importa mais. Ei, você não liga pra mim. Ei, você não sente a minha falta. Ei... você se importa comigo agora, mas desculpa, eu não me importo com você.


E hoje, um tempo depois de ter escrito isso, eu só consigo pensar: Samara, querida Sami, seje menas! Goste menos! Se apegue menos! Ou não, seja assim mesmo. Sempre mais. Acho que tá pouco de intensidade, põe mais!

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