Tá tudo bem.



      A gente vive em um mundo em que você é quase que obrigado a guardar seus sentimentos."Para! Não seja trouxa!", "Fingi que tá tudo bem, ignora esse otário", é o que te dizem quando você pensa em falar "ei, por que você fez isso?". E é assim que vamos vivendo, escondendo, deixando pra lá, tentando se mostrar forte quando por dentro está em caos.
      Mas quer saber? Não, não está tudo bem. Durante essas três semanas eu me pego chorando pelos cantos, por vezes no trabalho ou até durante meu inglês. Falar de você me embrulha o estômago, já cheguei até a vomitar por isso. As pessoas me perguntam como eu estou, o que aconteceu, e eu não consigo mais contar, porque toda vida que eu conto mesmo que 1% do que ocorreu, me dá uma puta vontade de sumir.
      Você sumiu. E por vezes eu acho ótimo, porque quando eu não estou falando com você, tento esquecer e até consigo. Mas sabe quando tudo parece te levar a uma lembrança? Tudo. Uma música, um livro, uma frase, um objeto, minha cama. E eu me pego te procurando. Por alguns segundos eu esqueço do que aconteceu e te procuro. Cadê você?
      Eu queria te contar dos meus planos, sobre como as coisas estão caminhando para eu ficar mais próxima a ti. Mas eu lembro que a nossa distância não é mais física. A nossa distância não se resolve com eu me mudando para seu país.
      Olhar pra lua não tem mais o mesmo sentido. Chegar em casa não tem mais a mesma felicidade. Escutar uma música que fale de qualquer coisa relacionada a sentimento não tem mais a mesma força.
      Eu passo o dia tentando ignorar. "Tá tudo bem", eu digo, e até consigo forçar um sorriso. Mas conto as horas pra chegar em casa e me esconder. Ficar sozinha e chorar o que eu tenho que chorar. Não, não está tudo bem.
      O que aconteceu agora, eu nunca vou esquecer. Sempre que você precisou, eu estava lá. Mesmo quando o mal tinha sido contra mim, eu estava lá dizendo "ei, não precisa chorar. Você não é assim! Você é uma boa pessoa, e eu sei disso!". Eu estava lá. A gente nunca admite que cria expectativas sobre uma pessoa, mesmo sem querer. Eu tinha certeza que você estava aqui, por mim, quando eu precisasse. E você, depois de tudo, ainda conseguiu me provar que não é bem assim.
      Não é louco quando você descobre que um amor era uma amizade? E depois descobre que essa amizade não era nada? Não é louco como algo que você achava que era amor, virou nada de um dia pro outro? Não é louco como sempre foi nada e você nunca percebeu?
      Tá tudo bem, você não é trouxa por isso. As pessoas que são. O mundo é que está ao contrário, e que me desculpe o Nando Reis, mas alguém reparou.


0 comentários:

Postar um comentário