Sobre saudade e distância


      E a gente se engana falando que não sente falta, que a saudade não dói e que não sente aperto no peito. A gente vive se enganando sobre tantas coisas, mas sempre chega aquela hora em que as lembranças voltam.
      Sempre me considerei uma pessoa nostálgica. Guardo bilhetes de shows, guardo cartas, guardo flores dentro da agenda. Guardo e relembro. Relembro e sinto falta. Nem sempre saudades é algo ruim. Já perdi as contas de quantas vezes relembrei tudo que passei esses tempos e sorri. Um sorriso leve e feliz de "nossa, vivi muita coisa boa". Mas tem a saudade que machuca. A que te faz querer voltar no tempo, ou pra fazer tudo diferente e se doar menos, ou pra reviver tudo de novo. E preciso confessar: quase sempre é a vontade de reviver tudo de novo. 
       A distância por vezes é uma forma de me manter sã, segura dos seus próprios sentimentos. Talvez se não houvesse distância, eu estivesse pior agora, por exemplo. Ou fazendo coisas que não condizem com o que eu sou. Porque paixão cega, convenhamos. Você esquece do que deve ou não perdoar, do que é certo ou errado, do que é ou não pra você. A distância serve nessas horas como uma forma de eu enxergar de longe o que deve se manter longe.
      Mas a saudade não enxerga nada. A saudade tá ali. Ela se perde com o seu cotidiano, com suas atividades diárias, mas ela volta a te atormentar vez ou outra. Até que ela se vai. Você sabe que uma hora ela te abandona, e o que resta é esperar essa hora chegar.
      A pior parte de quando a saudade se vai, é que com ela, os sentimentos também se vão. E me desculpem, ainda fico triste quando coisas boas viram um nada qualquer. Quando eu falo de "coisas boas", não são relacionamentos, são sentimentos.
      Sou dessas que sentem demais. Não adianta! Vou continuar sentindo demais por aí. Saudade demais, mesmo longe demais. Talvez não tão longe assim. 


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