Para toda nova f(r)ase precisa de um ponto final

   

     Hoje foi muito estranho, e eu ainda não consigo definir o quão estranho foi, só sei que foi assim... estranho. Foi o primeiro dia, o primeiro dia depois do fim. Achei que por ter raiva, nojo ou asco seria mais fácil. Engano meu. Minha mente sabe diferenciar aquele "você" antigo, do "você" atual. O meu coração só sente falta de ti, ele não diferencia, porque ele ainda não acredita que existam dois lados da história. Meu coração conhece a nossa história, da maneira tão pura e linda, como minha razão também achava que era.
     Sabe o que eu aprendi? Que tempo e distância são muito relativos. Não foi tanto tempo assim, e ao mesmo tempo parece ter sido há imenso tempo. Você acompanhou uma das minhas maiores mudanças. Não digo que eu ainda não seja insegura, imatura e que não me sinta uma adolescente por diversas vezes, mas você me conheceu fazendo meu TCC. Você me conheceu com medo de não me formar. Você me acompanhou nas minhas crises, nos meus medos, nas minhas angustias. E eu sinto medo ainda, mas não sou mais aquela pessoa. E eu sei que daqui a uns meses vou ter mudado novamente, e é ruim saber que você não vai continuar me acompanhando, sabe? Acabou. Simplesmente acabou. E eu não consigo entender as voltas que a vida dá. Como eu poderia?
     Esse tempo inteiro você esteve há 5.626 km de mim, e cada dia que passava parecia que a distância ia diminuindo. No começo, era como se a gente tivesse dando passos lentos, mas nos últimos dias parecia que estávamos correndo um em direção ao outro. Com uma urgência. Cada vez mais perto. Um dia a mais, era um dia a menos longe de você. Parece que a gente tava tão perto, tão perto, e do nada uma cratera se formou entre nós. Você de um lado, eu do outro. Um abismo nos separando.
     Nunca fui dessas apaixonadas que se entregam de cabeça, sem pensar nas consequências. Pelo contrário, eu nego até não conseguir mais. Eu escondi das pessoas que conviviam comigo, até chegar o dia em que eu tinha certeza absoluta de que você era perfeito pra mim, até o dia em que eu tive orgulho de falar que namorávamos. Eu já sabia o que eu ia ouvir, mas foda-se! Eu sabia o que a gente sentia, e bastava.
     Eu imaginava o meu futuro com você. E como eu já te falei, não é que eu me imaginava casando com você, entrando na igreja ao som de Ed Sheeran. Não. Eu me imaginava simplesmente deitada com você em uma praia qualquer, olhando pro céu e falando sobre a vida, te contando o que aconteceu no meu dia. Exatamente como eu fazia quando chegava cansada do trabalho, mas feliz por te ver e poder te contar tudo. Era tanta vontade de falar contigo, que eu mal respirava. E você virava pra mim rindo falando 'respira Samara', e nossa, isso me irritava. E me irritava quando você ia dormir, e me deixava. Me irritava quando você sumia. Me irritava quando você parecia distante. Mais do que a distância física, você parecer distante era muito pior. Mas eu nunca reparei em momento algum você indiferente comigo. Nunca me passou pela cabeça que aconteceria o que aconteceu. E eu não consigo descrever o quanto isso me doi. Juro, eu não consigo.
     Queria que essas duas semanas tivessem sido um pesadelo. Ou que esses últimos dois meses não tivessem existido, mesmo que isso significasse acabar com o que a gente sentia um pelo outro. Porque há dois meses eu não gostava tanto assim de você, mas eu via em você uma pessoa boa, gentil, preocupada, incapaz de fazer algum mal. Hoje eu não vejo nada em você. Eu simplesmente não te conheço.
     Acabou, mas não acabou da maneira que eu queria. Acabou porque nunca existiu. Acabou porque foi tudo uma grande mentira. Acabou porque nunca deveria ter começado. Acabou porque todas as coisas ditas por você não passaram de mentiras.
     Não te acho criança. Criança não tem maldade. Criança é sincera. Eu sei que todo mundo erra, mas não é todo mundo que consegue mentir tantas e tantas vezes como você conseguiu. Não é todo mundo que consegue olhar nos olhos da pessoa e jurar que não está mentindo, diversas vezes, estando mentindo. Não é todo mundo que consegue dormir com outra pessoa, mesmo horas antes tendo dito que estava arrependido. Não é todo mundo, e é justamente por isso que eu não vou deixar de acreditar nas pessoas. Eu acredito que tenha muita bondade no mundo sim, apesar de tudo.
     Ainda doi, sabe? Não vou mentir. Por diversas vezes, eu chorei. Não posso ouvir música lenta, não posso ouvir ou ler sobre perdas e traições. Ainda doi. Ainda não consigo acreditar. Mas sabe o que cura tudo isso? Tempo. Só isso.
     Você disse que aprendeu comigo que o passado a gente não muda, mas o futuro dá pra mudar sim. Então, espero que você tenha aprendido mesmo. Espero que você no fundo, bem lá no fundo, seja uma boa pessoa. Espero que você plante coisas boas. Ninguém precisa enganar ninguém, sabe? Ninguém! Se você não sabe ser fiel, simplesmente não diga que você é. Se você não ama, não diga. Se você não tem coragem de mudar, simplesmente não fale. Aliás, não fale nada. Simplesmente seja.
     Sabe o que eu aprendi com você? Palavras são palavras, apenas. Não adianta falar, falar e falar, e fazer o contrário. Não adianta gritar para o mundo "ei, olhe pra mim. Eu sou uma boa pessoa! Eu amo você! É com você que eu me imagino futuramente", e agir como a pior pessoa que eu já conheci.
     Nossa história tinha um pouco de "Querido John", e eu sorria, da maneira mais boba e estúpida que eu já vi, quando olhava pra lua. Mas a realidade é a realidade. Nossa história foi diferente. Nosso final não vai ser daqui há uns anos, eu esbarrando com você aí e perguntando se você está bem. Você não vai me convidar para um café, e eu não vou te contar o que aconteceu com a minha vida depois de tudo isso. Nós não vamos perceber, depois de tanto tempo, que ainda há sentimento e ainda há chance. Não, não vai acontecer isso.
     O nosso fim é agora. 
     E doi.
     Mas um dia não vai doer mais.
     E pode ser que a gente se esbarre por aí. Mas eu vou olhar pra você e você não vai ser a pessoa por quem eu era apaixonada. Você vai ser... sei lá, você. Como outra pessoa será outra pessoa qualquer. 
Só mais uma pessoa no meio de tantas outras. E não, você não vai ser A pessoa, como me disse. Você foi. Você foi A pessoa pra mim. Passado. Passado que não muda. Futuro que você não fez nada pra mudar. 
    Nós eramos linhas perpendiculares. Não importava quando, eu tinha certeza que a gente se cruzaria. Eu poderia rodar o mundo, ou até continuar aqui, mas a gente iria se encontrar em algum momento. Eramos. Passado.
     Nós não somos mais nada.
     Nada.



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