Uma pré-adolescência resumida em: crush.



        Vasculhando pelas gavetas do meu guarda-roupa, encontrei umas agendas de quando eu era pré-adolescente. Ok, diários. Eu não escrevia muito, e rasguei muitas folhas ao logo dos anos quando ia reler, por vergonha. Não me julguem. Foi em um desses diários, de 2007, quando eu tinha 13 anos, que vi logo no calendário, o dia 30 de novembro marcado com um coração. A primeira coisa que eu pensei foi WTF? O que tem dia 30 de novembro? Não é meu aniversário, muito menos da minha mãe ou do meu pai. Depois de reler algumas coisas, lembrei. Dia 30 de novembro é aniversário do meu ex-crush, ou melhor, do menino que eu morria de amores na época. Ele estava na lista, que pude reler mais pra frente, das pessoas mais especiais pra mim naquele ano. Cara, ele nem sabia da minha existência, como eu podia colocá-lo em primeiro lugar de uma lista ~tão especial~?
      Eu não me importava de ele não saber meu nome, nem muito menos notar a minha presença. Ficava horas e horas imaginando como seria se a gente ficasse juntos. Sim, eu passava literalmente horas montando roteiros na minha cabeça sobre a nossa "história de amor". 
       Até que eu o adicionei no orkut, assim na cara de pau mesmo, e pedi o MSN dele. Ele passou, por educação né? Mas vai dizer isso pra uma pré-adolescente apaixonada. Fui logo puxando papo. Não me recordo direito, mas tenho certeza que eu ficava inventando assunto, e o coitado respondendo por educação. Até que um dia eu achei que seria hora de fazer a grande revelação. Sim, me declarei completamente apaixonada. Que vergonha!
       Ele foi simpático, falou que eu era muito legal, agradeceu, e só. Agora me diz se eu me toquei? Não. Achei muito fofo e no outro dia lá estava eu contando pras minhas amigas. Cadê as migas me falando "seje menas" nessas horas?
       O ápice dessa história de "amor" foi quando, na minha formatura do 9º ano (que por acaso era a formatura dele do terceiro ano), ele apareceu com a namorada. PÁH! Era o que faltava para eu criar um drama enorme e pensar que nunca-vou-sofrer-como-estou-sofrendo-agora. Voltei para casa chorando horrores. 
       Mas pronto, depois disso parei de gostar dele, afinal já era hora né? E passei a gostar de outro, sim, rápido assim. Acho incrível a rapidez com que você "ama" e deixa de "amar" quando é mais novo. Mesma história, menos com a parte da declaração (obrigada Deus!). A conclusão que eu tiro lembrando dessas paixonites que eu tinha é que: eu precisava delas. Era bom me sentir apaixonada, mesmo que não sendo correspondida. Na verdade, não ser correspondida era um mero detalhe. Nem saberia agir caso acontecesse o contrário.
       Tudo isso por mais que parecesse um enorme sofrimento na época, são recordações, vergonhosas é claro, mas recordações. E de toda lembrança a gente pode tirar um aprendizado. Eu, por exemplo, aprendi com essa história a não me declarar mais por MSN, agora só por whatsapp.
       Ah, dia desses esse cara veio puxar conversa comigo e falou, estranhando (já que moramos em uma cidade relativamente pequena), que nunca tinha me visto por aqui. Eu ri e fiquei imaginando como iria falar "é... já viu sim", mas preferi responder "pois é". Imagina que louco se ele soubesse.

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